segunda-feira, 14 de abril de 2008

No Escurinho: UM PLANO BRILHANTE


Uma Receita Contra a Mesmice

Cotação: * * * 1/2

Se existe um gênero no qual os produtores investem seu dinheiro sem medo é o thriller. Mexendo com os nervos da audiência eles garantem o investimento e várias noites de sono tranqüilo. O filme de suspense caiu no gosto do público há tempos, desde que Sir Alfred Hitchcock explorou todas as suas possibilidades, vertentes e variações. Além disso, a presença de astros veteranos ou na berlinda, a convocação de um diretor competente e um script elaborado com um mínimo de engenhosidade garantem o sucesso da receita.

É o exemplo de UM PLANO BRILHANTE (Flawless), estrelado por Demi Moore e Michael Caine, sob a direção do britânico Michael Radford. O roteiro original de Edward Anderson tem o mérito de conferir aos personagens principais uma sutileza pouco comum ultimamente, neste tipo de espetáculo. Situado na Londres dos anos 60, o enredo nos apresenta Laura Quinn (Moore), executiva de uma poderosa firma de diamantes, cuja ascensão profissional vem sendo barrada por ser mulher. Aos poucos, ela se aproxima do Sr. Hobbs (Caine), o velho zelador que foi descartado após toda uma vida dedicada à empresa. Juntos eles irão responder ao preconceito e à demissão esquematizando um golpe genial: o roubo de uma valiosíssima coleção de jóias, se vingando da corporação que friamente os menosprezou.


Radford (O Carteiro e o Poeta, O Mercador de Veneza, 1984), um realizador que costuma driblar a mesmice, conduz a narrativa com muita habilidade e acerta em cheio no ângulo da abordagem. Ao invés de apostar na trama, na armação do plano mirabolante, constrói o filme baseado na fragilidade dos protagonistas frente à estrutura que os devora. A impressão de que a tarefa está acima de suas capacidades e que andam sempre à beira do abismo, remete à tensão ao nível psicológico, garantindo uma densidade que confere equilíbrio ao todo.

Porém, em nenhum momento tal visão minimiza a diversão que todos procuram em histórias assim, muito pelo contrário. Ao final, a sensação que fica é da rara mistura de complexidade emocional e ação mirabolante, agradando aos olhos e à inteligência. Além do prazer de sempre rever a altivez natural de Michael Caine, e a grata surpresa de constatar que Demi Moore, amadurecida, tornou-se capaz de representar com sensibilidade, alcançando alturas que ninguém julgava possível.

3 comentários:

athenarj19 disse...

Olá Roberto! Está muito bonito mesmo seu novo blog! E esta idéia de comentar os filmes recentes é ótima,assim,antes de assistir já contamos com sua abalizada opinião para nos orientar. Este "Um Plano Brilhante" já está na minha lista, fiquei interessada... Parabéns e sucesso neste novo espaço!

lella disse...

Roberto,

compartilharia esse texto? Para enriquecer o acervo do meu blog.

Eu ainda não vi o filme. Vou listá-lo.

Beijo grande,

Sandra disse...

Olá Roberto. Como vai? Gostaria de saber a qntas anda a situação na nossa comunidade FC&E. Fui expulsa de lá pelo ladrão qua a roubou de vc. A Alana tmbm. Se vc conseguir reavê-la ou criar outra, nos avisa tá. Estamos sentindo sua falta. :)

grande abço.